Embalados pelo
compasso do jazz ao som de John Coltrane, Miles Davis e Thelonious Monk, houve
uma geração de escritores nos anos 50 influenciados pelo antimaterialismo
budista, que questionou os valores da sociedade norteamericana. Uma geração
com um olhar diferente sobre o que é literatura, um olhar mais libertário sobre
padrões estéticos da arte. Frases enormes sem pontuações ou vírgulas, onde
parece que alguém senta-se em sua frente e começa a contar alguma história da
qual vivenciou, de maneira frenética, viajando do norte ao sul dos Estados Unidos
ou países do oriente médio como Marrocos. Vírgula colocada fora de um padrão acadêmico, ou muitas vezes parecendo uma espécie de colagem dadaísta (talvez o
livro que mais tenha essa estética seja Almoço Nu de William S. Burroughs, considerado
um mentor desta geração).
Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William S. Burroughs, são tidos como a “trindade”
desta geração. Tiveram mulheres como Diane Di Prima, Elise Cowen e Hettie Jones
que fizeram parte deste movimento literário. Eles também tiveram um editor,
pintor e poeta: Lawrence Ferlinghetti. O que se sabe sobre seu nascimento, é
que nasceu na Itália logo após a morte do pai, italiano e anarquista. Foi
levado para a França e criado por uma tia. Aos 6 anos de idade, mudaram-se para
Nova Iorque. A tia sumiu e anos mais tarde Ferlinghetti foi adotado por
imigrantes franceses e descobriu que a sua tia havia falecido em um hospital,
infelizmente como indigente.
Mas o que Um Parque de Diversões da Cabeça tem a oferecer? A primeira parte do
livro é composta por apenas um só poema extenso, forte, embebido em um
surrealismo que muitas vezes soa “bunuelesco”. A primeira coisa que se percebe
é sua métrica totalmente inusitada em seus versos brancos descartando qualquer
tipo de rima. Não critica apenas os valores americanos e o seu “American Way of
Life”, mas também te leva a uma viagem, a uma ode a liberdade criativa. Como o próprio Ferlinghetti havia dito em Um Parque de Diversões da Cabeça, ele expressa um circo da alma, espontâneo e jazzístico.
Já na segunda parte do livro, podemos perceber algumas rimas e como ele próprio
escreveu no livro: Estes sete poemas foram concebidos especificamente para
acompanhamento jazzístico e, como tal, devem ser mais considerados como
discursos espontâneos, “mensagens orais” do que como poemas redigidos para a
página impressa. Agora soando mais imagético e sendo composto não por apenas um
poema extenso, é quase como se ele tentasse simular pinturas impressionistas na
cabeça do leitor, mas ainda com surrealismo e trazendo uma temática
existencialista e em algumas vezes, fazendo uma mistura de métricas.
Um Parque de Diversões da Cabeça é um abraço caloroso a liberdade criativa, é
um olhar afiado, carinhoso e agressivo sem dualismo sobre a humanidade e
sobre os Estados Unidos.
Nathanael Fialho
terça-feira, 16 de novembro de 2021
Recomendação de leitura: Um parque De Diversões Da Cabeça de Lawrence Ferlinghetti
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