Reza
a lenda que a primeira boneca Abayomi teria sido criada nos porões de um navio
negreiro onde as mulheres africanas e seus filhos, muitos ainda crianças, eram
transportados para outros países. Nessa história uma mulher e sua filhinha
haviam sido sequestradas e escravizadas, e a mãe ao ver que sua filhinha estava
muito triste pela terrível situação que viviam teria arrancado tiras do tecido
da barra de sua saia e fazendo pequenos nós nessas tiras de tecidos criado a
primeira boneca Abayomi para alegrar a filha que então volta a sorrir. Que
história linda! SQN! Essa é uma versão romantizada da história e circula pela
internet graças a um vídeo no qual Noeli Souza conta a história. Noeli é uma
ativista do Movimento Negro que propaga e divulga a cultura afro no Brasil, mas
a história verdadeira não é esta!
As
bonecas Abayomi são sim feitas com tiras de tecidos, negro e sem colas, apenas
com nós, mas foram criadas na década de 1980 por uma maranhense chamada Lena
Martins, militante do Movimento das Mulheres Negras. Lena usava retalhos para fazer
as bonecas que foram aperfeiçoadas até chegarem ao formato da versão que hoje
conhecemos como bonecas Abayomi.
Dicas de leitura:
Livro A Psicanálise dos Contos de Fadas, de Bruno
Bettelheim.
Livro Fadas no Divã, Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso
Inicialmente
podemos nos questionar sobre o que é qualidade? Segundo o dicionário significa
a propriedade que determina a essência ou a natureza de um ser ou de alguma
coisa. Podemos afirmar também que qualidade é um conceito subjetivo que está
relacionado diretamente com as percepções de cada indivíduo. Diversos fatores
como cultura, modelos mentais, tipos de produtos ou serviços prestados,
necessidades e expectativas, influenciam nessa definição.
Qualidade de vida,
no trabalho é um índice de satisfação do colaborador que é medido a partir dos níveis
de saúde e bem-estar, ambiente físico, interação social, crescimento pessoal,
dentre outros. Ela é importante, pois promove melhorias nos relacionamentos
interpessoais e na comunicação interna da empresa. Isso faz com que as equipes
consigam conversar de forma mais clara e objetiva, evitando intrigas e
desacordos. No final todos saem ganhando, inclusive a organização.
Quais ações podem
ser colocadas em prática para melhorar os índices de qualidade? Incentivar a comunicação
e as trocas de conhecimento, procurar flexibilizar a jornada de trabalho, criar
programas de saúde e bem-estar emocional, reconhecer os feedbacks, realizar celebrações,
considerar os programas de educação financeira, estimular a existência dos
grupos de diversidades, desenvolver e apoiar as lideranças e as mentorias.
Flexibilizar a informação
trocada internamente é uma atitude que apresenta ótimos resultados no ambiente
corporativo. Ao ouvir mais os profissionais sobre suas visões, os diálogos se
tornam mais eficazes e diversos, consequentemente mais produtivos também.
Hoje as jornadas e
o modelo de trabalho estão mudando, e vão mudar ainda mais. Os horários de entrada
e saída com flexibilização em determinados dias da semana e o home-office são muito
bem-vindos. É só pensarmos nos engarrafamentos nas metrópoles que, por exemplo,
só estressam o colaborador, ou a possibilidade de balancear melhor o tempo com
a família e com o trabalho.
A
gestão das equipes é outro fator importante que impacta a qualidade de vida
empresarial. Um bom gestor entende a empresa e os colaboradores de forma
individualizada. Assim, ele se torna um dos maiores responsáveis por ambientes
saudáveis, motivadores e seguros.
Hoje, como sabemos, é muito importante ter uma boa saúde para fazer qualquer atividade profissional, mas esquecemos de dar a atenção necessária ou observar os riscos que a ação do trabalho pode trazer para nosso bem estar.
O profissional da área da biblioteconomia possui diversos riscos que devemos tomar os devidos cuidados ao desempenhar a função e pensando no aspecto ergonômico do seu local de trabalho é uma forma de prevenção, porque conforme a atividade que executa demanda de esforço físico e repetição de movimentos.
Em parte, o bem estar não é levado em consideração pelos trabalhadores, pois esquecemos como é importante ter um espaço de trabalho preparado para executar das atividades do dia-a-dia, que conceda qualidades necessárias na preservação e prevenção à saúde física e mental. As condições psicológicas, as estrutura organizacionais e físicas do espaço do trabalho são importantes também, porque precisamos ter uma boa concentração na realização das tarefas, uma carga de trabalho não seja excessiva e um ambiente de trabalho com os equipamentos de proteção e mobiliário adequado são os aspectos que nós não levamos em consideração ou esquecemos de alguns pontos.
Os cuidados começam prestando atenção nas condições ergonômicas do local de trabalho, onde são levados em consideração as condições da arquitetura dos espaços físicos e os processos cognitivos na executar as tarefas, e das estruturas organizacionais do ambiente para buscar uma qualidade melhor na saúde do profissional da biblioteconomia.
Esses pontos são importantes para uma prevenção a qualquer problema relacionado à saúde ocasionado pelas más condições do local de exercício da profissão e buscar alinhar sua estação que vamos trabalhar é algo crucial para prevenção de lesões e doenças.
Biblioterapia:
Você sabe o que é e quais são os seus benefícios?
A palavra biblioterapia tem
origem grega e significa: “Biblion” - material bibliográfico e de leitura e “
Therapein” – terapia, tratamento. Biblioterapia é a terapia por meio de livros,
ou cura através da leitura. Tanto na origem grega, quanto na hebraica tem o
significado de atividade preventiva.
A biblioterapia não é uma
técnica atual, o uso da leitura com fim terapêutico vem da Idade Antiga. Foi a
partir de 1800 que passou a ser utilizada por médicos, psicólogos e
bibliotecários e nasceu como conceito.
A biblioterapia é uma
abordagem terapêutica utilizada em pessoas de qualquer idade e especialistas
recomendam a biblioterapia para tratar questões como: ansiedade, depressão,
abuso de álcool e drogas, distúrbios alimentares, problemas em qualquer tipo de
relacionamento, falta de perspectiva na vida, luto, traumas e doenças crônicas,
facilitar a socialização, estimular a criatividade e a imaginação, incentivar o
hábito pela leitura, proporcionar uma atividade de lazer , auxilia a
compreender os desafios pessoais e desenvolve estratégias para lidar com esses
desafios. Essa abordagem é terapêutica, pois estimula o ouvinte e ou leitor a
encontrar suas próprias soluções, gerenciando assim seus conflitos internos.
O propósito da prática é
aumentar a autoestima e melhorar processos de desenvolvimento pessoal,
educacional ou trabalhar em quadros clínicos.
A biblioterapia começou a
desenvolver-se primeiramente em ambientes hospitalares e clínicas de saúde
mental; mais tarde, passou a ser aplicada na educação, na medicina e no campo
correcional. No tratamento psicológico é utilizada com crianças, jovens, adultos
e idosos.
A bilioterapia pode ser
trabalhada de forma individual ou coletiva.
Nas sessões de biblioterapia é
fundamental que o livro escolhido esteja relacionado diretamente com a
dificuldade do paciente, para que ele possa se identificar como protagonista da
história; fortalecido pela boa literatura ou por uma contação de história
eficiente, ele tem a chance de estar mais apto a superar as dificuldades e os
momentos de desânimo e de tristeza. A literatura em relação a biblioterapia
para adultos, adolescente e idosos ainda é escassa, uma vez que ela é
preferencialmente aplicada às crianças.
Quem ouve ou lê uma história,
coloca-se no lugar do personagem, vivencia as situações e emoções
experimentadas pelos elementos que compõe as cenas e, por conseguinte, vibra na
mesma sintonia.
Ler um livro, seja de ficção
cientifica, romance, histórias infantis, contos de fadas podem trazer
benefícios inimagináveis não apenas para a sua mente, mas em especial, à sua
saúde. A prática da leitura em si pode trazer diversos benefícios para a saúde
física e mental.
A leitura além de ativar
várias áreas do cérebro, promove a empatia e a resiliência; aumenta o vocabulário;
melhora a comunicação; estimula a aprendizagem e a curiosidade; aumenta a
reserva cognitiva; atrasa os sintomas de doenças neurodegenerativas; reduz os
níveis de estresse; promove descanso e o sono; diminui o sentimento de solidão;
fornece ao leitor conhecimento, sabedoria e liberdade de escolha, o que
influencia sua autoestima e segurança na vida.
O poder de cura dos livros é
indiscutível. Talvez os resultados não sejam imediatos, mas a longo prazo a
leitura beneficia o corpo e a mente.
É importante ressaltar que a
melhor terapia é aquela em que o paciente acredita e está disposto a investir
na sua cura e o livro tem esse poder curativo. Na biblioterapia o terapeuta é o
próprio livro com sua história, seu enredo e seus personagens e o mediador é o
ouvinte do leitor.
Hoje veremos sobre as cinco leis de Ranganathan. Considerado o pai da biblioteconomia, ele elaborou tais leis que é vital para quem se interessa pela área. Todos os profissionais da biblioteconomia se deparam com essas leis ao longo da formação. Elas são essenciais para o desenvolvimento do profissional e para a atuação destes. Saber essas leis e colocá-las em prática é fundamental para o bom relacionamento e funcionamento de uma biblioteca.
1ª Lei: Os livros são para usar
Fica explícito o sentido dessa lei, o livro é para usar, é para ler, é para ser acessível. Uma biblioteca não é um cofre onde seus exemplares ficam em regime de segurança máxima, os livros são livres, eles precisam chegar a quem precisa.
2ª Lei: A cada leitor seu livro
Esta lei prioriza o leitor. Todo leitor deve ter acesso a informação. É a acessibilidade. Quem necessita da biblioteca deve ter sua demanda atendida e a biblioteca deve, indiscriminadamente, atender os seus usuários.
3ª Lei: A cada livro seu leitor
A sua busca, a sua necessidade pela informação, as suas diferenças. A biblioteca deve estar apta a atender todo o seu público, indiferente de crenças ou ideologias, todos devem ser acolhidos.
4ª Lei: Poupe o tempo do leitor
Na biblioteconomia vemos como os livros são catalogados e organizados. Dessa forma facilita a recuperação da informação, usufruir de ferramentas que auxiliem na busca pelo acervo. Que é o foco do profissional, fazer com que a necessidade informacional chegue ao seu destino.
5ª Lei: A Biblioteca é um organismo em crescimento
A biblioteca é um organismo vivo. A medida que o mundo vai avançando no tempo, os livros também vão. Então não tem como se limitar, a biblioteca tende a ver seu acervo crescendo diariamente, pois a necessidade informacional das pessoas tendem a mudar frequentemente. Então a biblioteca deve dispor de espaço para poder se atualizar e, assim, seguir cumprindo seu papel.
Olá. Bem-vindos ao podcast de hoje. Eu me chamo Lucilene e
falarei um pouco de como as bibliotecas podem auxiliar na saúde
mental em tempos de pandemia.
Neste período de pandemia que estamos vivenciando com
isolamento social e todas as medidas de segurança as
dificuldades são inúmeras, mas principalmente a questão
econômica e o luto têm afetado significativamente milhares de
pessoas e em especial as menos favorecidas, que sofrem grande
vulnerabilidade social como as pessoas de baixa renda, negros,
indígenas, deficientes e mulheres.
Todo esse contexto social aumenta substancialmente os casos
de ansiedade e depressão. Diante disso, na tentativa de
proporcionar uma melhor condição a essas pessoas neste
período pensamos: de que forma as bibliotecas podem auxiliar
na saúde mental em tempos de pandemia?
Um dos aspectos importantes na estrutura das bibliotecas em
apoio a saúde mental em tempos de pandemia é a
bibliodiversidade e para que haja essa diversidade cultural e
informativa, é preciso dialogar com o público e entender do que
ele necessita.
As bibliotecas precisam conhecer mais como a pandemia
impactou a vida das pessoas para conseguir atender suas
demandas.
Podemos dizer que: “estamos na mesma tempestade, mas não
estamos no mesmo barco”. Isso significa que cada pessoa sentiu
as dificuldades e dores da pandemia da sua forma. Contudo,
umas mais que as outras, principalmente àquelas que pouco
tiveram acesso a recursos, sejam eles financeiros, de saúde ou de
informação.
A biblioteca em sua função social, precisa ajudar a minimizar a
desinformação que tanto mata neste país. Promovendo um
espaço de acolhimento, inclusão e promoção da diversidade.
Estabelecendo vínculo de pertencimento para com a sociedade.
Em que ela possa se sentir segura e acolhida.
Podemos pensar em algumas ações onde as bibliotecas podem
auxiliar neste período pandêmico, como o apoio as necessidades
informativas de conhecimento e entretenimento cultural,
adequando o atendimento da biblioteca às necessidades da
pandemia, trazendo informações reais e atualizadas. Também é
possível buscar oferecer leituras de escritores brasileiros sobre a
história do nosso País para melhor compreender nossa
construção social. A biblioteca pode atuar de forma terapêutica,
onde o usuário esteja inserido em um ambiente de informação e
cultura, em que ele possa sanar suas dúvidas sobre a pandemia e
com isso melhorar os sintomas de ansiedade e depressão.
Exercendo também a biblioterapia, que auxilia pessoas com
distúrbios emocionais, ajudando no entendimento e controle das
emoções. Também oferecendo atividades como hora do conto e
outros projetos sociais aos quais possibilitem melhor
compreensão sobre a pandemia e auxilio na saúde mental.
Gostaria de falar agora sobre um exemplo de uma iniciativa que
foi o projeto desenvolvido pela Psicóloga Solange Lucena
Mendes junto à biblioteca do Município de Domingos Martins
(região Serrana do Espírito Santo) e que foi premiado pela
Fundação Bill e Melinda Gates. Esse projeto foi pensado para as
mulheres do município que necessitavam de atendimento em
saúde mental e que tinham pouco acesso à tecnologia, com o
intuito de sair um pouco do ambiente clínico que muitas vezes
traz angústia e inseri-las em um ambiente de cultura e
informação. Então, juntamente com a professora Adriana Jardim
e um grupo de adolescentes estagiários do CIEE, essas mulheres
puderam aprender como utilizar um computador, como
manipulá-lo, ter noções de informática, alfabetização digital e
muito mais. As mulheres deste projeto, além de aprenderem
sobre informática, tiveram outros avanços, como a diminuição
na porcentagem de medicação que era ministrada diariamente
para transtornos emocionais e psicológicos. Elas também
participavam de reuniões, horas do conto, exposições e leituras
dentro da biblioteca.
Neste projeto a informática serviu como recurso terapêutico e
acreditamos que projetos como este, adaptado as necessidades
da pandemia possam ajudar em muito na melhoria da saúde
mental.
Sabemos o quanto estarmos bem informados ajuda a melhorar a
nossa qualidade de vida e em períodos pandêmicos ela se torna
vital.
Assim como já era dito do Antigo Egito: a biblioteca é o “lugar de
cura da alma”. Então façamos dela nossa parceira na saúde
mental, explorando toda sua capacidade informativa e cultural
para melhor passarmos pela pandemia.
Se estiverem interessados em saber mais sobre este assunto,
acessem o Youtube e pesquisem sobre o encontro virtual da
FEBAB (Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários,
Cientista de Informação e Instituições) do dia 19 de maio de
2021. Onde é discutido sobre Saúde Mental, Pandemia e Bibliotecas. Este encontro foi a base para a construção deste
podcast.
Este foi o podcast de hoje falando sobre como as bibliotecas
podem auxiliar em tempos de pandemia. Espero que tenham
gostado. Até mais!
Lucilene Zaro.
Segue abaixo um formulário com base no roteiro e vídeo de Podcast postados, para que possamos colher sua opinião/sugestão de como as bibliotecas podem auxiliar na saúde mental em tempos de pandemia.